quarta-feira, 20 de abril de 2016

Resistir às paixões


Certa vez, um dos pais do deserto, abade Abraão, soube que perto do mosteiro havia um sábio. Foi procura-lo e perguntou:

- Se hoje você encontrasse uma bela mulher na sua cama, conseguiria pensar que não era uma mulher?

Não – respondeu o eremita – mas conseguiria me controlar.

O abade continuou:

- E se descobrisse moedas de ouro em seu caminho, conseguiria ver esse ouro como se fossem pedras.

Não. Mas conseguiria me controlar para deixa-las onde estavam.

- E se você fosse procurado por dois irmãos, um que o odeia e outro que o ama. Conseguiria achar que os dois são iguais.

Com tranqüilidade ele respondeu.

- Mesmo sofrendo eu trataria o que me odeia da mesma maneira que trataria o que me ama.

Naquela noite, ao voltar para o mosteiro, o abade falou aos seus noviços:

- Vou lhes explicar o que é um sábio:

É aquele que, em vez de matar suas paixões, consegue controla-las.

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Controlar ou resistir às paixões, aos desejos, às ambições não é fácil. Mas é possível. 

As paixões são como vícios; elas se instalam em você e te tornam dependente. 

Para dominá-las, você não pode, simplesmente, ignorá-las ou negá-las. 

Torna-se cada vez maior a pressão. Será como uma grande represa prestes a estourar.

O caminho de Deus para controlar as paixões é a graça disciplinada (R. Foster). 

É graça porque depende de Deus; é disciplinada porque tem algo que te cabe fazer. 

Fique atento: o contrário da graça não é esforço, é mérito. Disciplina não é castigo, é treinamento.

Assim, o enfrentamento do inimigo interior acontece junto do Pai de amor (na graça do Filho e no poder do Espírito). 

Ele te acompanhará no processo e te ensinará a resistir: “Sujeitem-se, portanto, a Deus, resistam ao diabo e ele fugirá de vocês” (Tiago 4.7).

Saiba, também, que existem muitas maneiras de resistir ao mal. 

Busque a orientação específica para cada situação em oração, com ajuda de bons amigos e bons livros e através da meditação na Bíblia.

Tire, ainda, um tempo para autoanálise:

   1. Quais paixões me seduzem? (o prazer, o dinheiro e a necessidade de aceitação são as paixões prediletas do ser humano caído).

   2. Quais palavras me incomodam? (o desconforto revela onde estão as paixões).

 3. Quais situações me deixam indignado? (a ira aponta para a negação de paixões secretas).

E não esqueça: a verdadeira sabedoria está em seguir a Jesus e fazer a sua vontade. 

Um discípulo amado será sempre um eterno aprendiz. Que assim seja!


“Não importa quantas vezes nós fracassamos, quem é fiel a Deus não fica no chão por muito tempo” – Provérbios 24.16; Bíblia Mensagem.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Vida após a morte


Um dia, um amigo perguntou minha opinião a respeito de “vida após a morte”. 

Estávamos em um restaurante, muitas pessoas de diferentes perspectivas religiosas à volta, vários olhares e ouvidos atentos.

Minha resposta foi simples: RESSURREIÇÃO!

Apesar de contundente, falei tudo sem dizer nada. Ninguém entendeu minha mensagem. 

Ressurreição é uma imagem vaga para a maioria das pessoas. É associada com “passar para o outro lado”, numa perspectiva de almas ou espíritos que se livram do corpo mortal e renascem em outro plano.

Mas a tradição cristã (e a Bíblia!) diz que a “vida após a morte” culmina na ressurreição nessa Terra, após um período de espera ou de “descanso”. 

Como diria o teólogo N.T. Wright: ressurreição é a “vida após a vida após a morte!”. Isso significa, novos corpos e novas almas em um novo mundo. Tudo será transformado (cf. 1Coríntios 15).

Então, depois de ver naquele restaurante tantas expressões de frustração com a minha resposta, comecei a pensar uma palavra mais significativa.

Acho que encontrei!

Se, novamente, for interpelado por alguém com a pergunta “o que significa para você vida após a morte”, minha resposta será simplesmente: 

Uma borboleta.

Sim, a ressurreição pode ser vista como a vida de uma borboleta. 

Vivemos como lagartas na terra, passamos um tempo como crisálidas junto com Cristo, e ressurgimos novamente na terra como lindas borboletas.

Tudo será transformado, não apenas o corpo, mas nosso ser integral: pensamentos, emoções, físico, espiritualidade, tudo.

Acredito ser essa a direção que a Bíblia nos dá. É claro, existe muito para falar a respeito desse assunto. E muitas perguntas no ar.

É, como toda perspectiva religiosa, polêmica.

Mas expresso aqui, embora de forma rudimentar, minha opinião.

Para quem quiser saber mais detalhes, recomendo o livro “Surpreendido pela Esperança”, de N.T. Wright, Editora Ultimato.

Que Jesus Cristo nos abençoe e nos guie em seu caminho.




sexta-feira, 1 de abril de 2016

Abrir mão

Estou trabalhando com o domínio do meu ego (EU).

Atualmente, quem o domina sou eu. 

Mas quero esmagar, extirpar esse domínio da minha vida. 

Meu desejo é ver o ego dominado por Cristo. 

Que ele (o ego!) se expresse em amorosa harmonia com o Criador. 

Não é fácil. O meu domínio sobre o EU é poderoso, astuto e cheio de seduções. Sou frágil diante disso. 

Na maior parte do tempo, o Eu é dominado com folga por mim (orgulho). 

Mas devo continuar. 

Essa é “minha luta”.

O antídoto para o orgulho é a humildade profunda, o desapego, a auto-renúncia, o auto-esquecimento. 

Enfim, o “abrir mão” de todo controle. 

Passo a olhar a realidade a partir de Cristo, não das circunstâncias ou de meus desejos “espontâneos” (afinal, eles foram forjados pela cultura corrompida, influenciada pela minha história). 

Jesus é meu guia. Ele me ensina a reinventar cada momento de minha vida, pois meus olhos estão nele. 

Passo a lutar por valores eternos, embora com a alma ferida.

Graças a Deus que tem nos dado o lamento (exposto em 70% dos salmos), para lidar com a natureza obstinada e rebelde. 

Abençoado serão os mansos (aqueles que foram domados) e humildes de coração. 

Eles verão a Deus e reinarão sobre a terra, com liberdade reverente, conquistada não por mérito humano, mas por graça, a qual é caracterizada pelo amor leal do Criador.

Está na hora de fazer uma lista do que devo abrir mão. Será que cabe numa folha de papel?