Havia um
velho que costumava meditar toda manhã bem cedo sob uma enorme árvore na margem
do Ganges.
Certa manhã, depois de ter terminado sua meditação, o velho abriu os
olhos e viu um escorpião flutuando sem defesa na água.
Quando o escorpião se
aproximou da árvore pela água, o homem depressa se estirou sobre uma das longas
raízes que se espraiava rio adentro e estendeu a mão para resgatar o animal que
se afogava.
Logo que o tocou, o escorpião picou-o. Instintivamente, o homem
recolheu a mão.
Um instante mais tarde, depois de recuperar o equilíbrio, ele
se estirou novamente sobre as raízes para salvar o escorpião.
Desta vez o
escorpião picou-o tão gravemente com sua cauda venenosa que a mão do homem
ficou inchada e ensangüentada, e seu rosto contorcido de dor.
Naquele
momento, um passante, vendo o velho estirado no chão a lutar com o escorpião,
gritou:
― Ei, velho
imbecil, o que há de errado com você? Só um idiota arriscaria a vida por uma
criatura tão feia e maligna. Você não sabe que pode se matar tentando salvar
esse escorpião ingrato?
O velho
virou a cabeça. Olhando o estranho nos olhos, disse calmamente:
― Meu
amigo, só porque é da natureza do escorpião picar, não muda minha natureza de
salvar.
História de Henri
Nouwen,
recontada por B. Manning em “A Assinatura de Jesus”, pg. 127.

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